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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Bicho de Sete Cabeças e até mais......

Como tento escrever um pouco de tudo que se passa pela minha cabeça.... até por que tudo é muito coisa, quero explanar minha angústia.... Não sei como fazer isso .... mas para que outras pessoas entendam o que quero mostrar sugiro que assistam o filme "O bicho de 7 cabeças".
Depois de assistirem ent
enderão...
Me revolto com injustiças que vejo e acredito que a maioria também se revolta.... sou muito emotiva em relação à filmes como a maioria tenho certeza que é... me pergunto, o que fazemos com os sentimos que afloram em nós diante de um situação? Talvez tentamos simplesmente ameniza-los... mas como? Por que não estamos acostumados a lutar por aquilo que acreditamos ser certo? As vezes acho que a maioria da população é muito passiva à tudo que acontece.... e me incluo... Por isso parece que as injustiças sempre vão acontecer.... Parece que vamos nos revoltar, nos indignar, mas logo esquecemos pois outras e outras e outras injustiças vão aparecendo pela frente.... Somos acomodados.... em nossa maioria pelo menos...
Mas e aí????
Não quero mais ser dessa maneira que percebo que sou... De repente se eu começar a promover minha mudança vou conseguir promover a mudança de pensamento de outras pessoas tb....

Vou começar ajudando a divulgar uma denúncia de nossa sociedade... Uma de
núncia de como pré-julgamentos podem afetar para sempre a vida de um pessoa...
O filme O Bicho de 7 cabeças é baseado no livro "O Canto dos Malditos" de Austregésilo Carrano Bueno. É um livro autobiográfico que foi censurado por algum tempo. Essa censura mostra o poder que a instituiçao médica exerce em nossa sociedade.



Vou fazer um copia e cola básico aqui sobre a sinopse do livro que achei na site a editora Rocco.



SINOPSE DO LIVRO:

Dois anos e meio depois de ter sido recolhido de todas as livrarias do país por ordem judicial, Canto dos malditos finalmente volta às prateleiras. O livro de Austregésilo Carrano Bueno é um precioso documento sobre os abusos cometidos em hospitais psiquiátricos brasileiros e serviu de base para o premiadíssimo Bicho de sete cabeças, da cineasta Laís Bodanzsky. A nova edição conta ainda com um posfácio inédito, que dá ainda mais profundidade e atualidade à obra.

Canto dos malditos é um texto autobiográfico em que o paranaense Austregésilo Carrano Bueno narra sua via-crúcis pelos hospícios de Curitiba e do Rio de Janeiro. Aos 17 anos, em 1974, ele era um jovem rebelde, habituado a fumar maconha e a se drogar com medicamentos de uso restrito, embora não pudesse ser considerado um viciado. Certo dia, o pai de Austry, como ele era chamado, encontrou uma trouxinha da erva alucinógena em sua jaqueta. Sem nem ao menos conversar a respeito do assunto com o filho, ele o internou à força num hospital psiquiátrico de sua cidade, Curitiba, para desintoxicação. Foi quando começou o horror do autor.

Ao longo de um ano de internação, Austry foi submetido a dezenas de sessões de eletrochoque, além de ser obrigado a ingerir cerca de 15 comprimidos diários. Ele, que então se preparava para o vestibular, passou a viver cercado de enfermeiros sádicos, psicopatas ameaçadores e loucos que defecavam e urinavam por toda parte. No fim do "tratamento", o jovem rebelde e cheio de vida havia se transformado num ser abobalhado, sem vontade própria, incapaz de se concentrar em qualquer atividade ou mesmo de abotoar uma camisa, com o organismo repleto de substâncias químicas cujos nomes ele jamais saberá. E tudo isso foi feito sem que médico algum o examinasse ou lhe dirigisse a palavra, nem mesmo no ato da internação.

Quando saiu da clínica, Austry já não tinha condições de conviver com as pessoas ditas normais. Desajustado pelos eletrochoques, pela sedação pesada e torturas variadas, ele acabou sofrendo também nas mãos da polícia, que lhe proporcionou doses extras de humilhação e espancamento. O próprio Austry pediu para voltar ao sanatório – ele agora preferia conviver com os loucos, pois haviam-no transformado num deles. Até os 20 anos, ele foi internado em várias instituições psiquiátricas, sempre tendo todos os seus direitos desrespeitados. Austry passou dias e dias amarrado à cama ou trancafiado em cubículos escuros e imundos, semelhantes às solitárias das penitenciárias. Ele recebia injeções diárias, aplicadas sem o menor cuidado, o que lhe rendeu feridas, inchaços e infecções. Por vezes, quando implorava por um sedativo que lhe amenizasse as dores insuportáveis, tudo o que ele obtinha era uma nova surra, aplicada por profissionais de saúde irresponsáveis e criminosos.

Em julho de 2001, superados todos esses horrores – mas com traumas e seqüelas irremediáveis – Austregésilo Carrano Bueno publicou Canto dos malditos, em que relata todos os horrores por que passou. Antes disso, em 2000, seus manuscritos já haviam dado origem ao filme Bicho de sete cabeças, que conquistou 57 prêmios, oito deles fora do Brasil. Entretanto, em abril de 2002, o livro foi cassado e proibido de ser comercializado e divulgado devido a uma ação judicial movida pela família de um dos médicos citados no texto. Sob a alegação de calúnia e injúria, a biografia saiu de circulação.

Agora, adotado em 12 universidades, colaborando para a formação de profissionais de medicina, psicologia, sociologia e direito, Canto dos malditos finalmente pôde voltar às livrarias e bibliotecas, acrescido de um posfácio em que o autor conta detalhes do processo de cassação, explica como o filme de Laís Bodanzsky colaborou para a aprovação da Lei Federal de Reforma Psiquiátrica, defende a tese de que a omissão da sociedade e o regime militar foram os maiores responsáveis pelo que lhe aconteceu e apresenta o Movimento da Luta Antimanicomial, do qual faz parte. A nova edição também omite, por precaução, os nomes verdadeiros das pessoas citadas, embora a obra tenha sido liberada pela Justiça em sua versão original e completa.

Não achei esse livro para vender em nenhuma livraria, nem na editora... então vale procurar em sebos.... não tive ainda a oportunidade de ler esse livro mas já está em minha listinha....

Tá aí a dica!!!! :)


Alienando...



Li essa semana um livro muito bom do Machado de Assis... O Alienista... É um conto que tem como tema a loucura. "A grandeza do conto está na extrema capacidade do autor em adequar ao seu estilo as circunstâncias humanas que o compõem".... tirei essa frase da parte de trás do livro e é verdadeira. Machado de Assis consegue expôr um momento histórico dentro da saúde mental que realmente aconteceu... claro... com seus personagens fictícios... que quase acreditei que foram reais.... haha...

É um conto que me remete a uma frase do Caetano Veloso: "De perto ninguém é normal"....
Pois é.... e
o que é normal??? É a pergunta que Machado de Assis tenta calar de forma discreta e maravilhosa nesse conto.... muito inteligente por sinal... Não vou dizer que é o melhor conto de Machado pois não li muito de sua biografia mas por enquanto, um dos meus prediletos!


Fica a dica!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

CONTO DE FADAS??? NÃO EXISTE!!!!!!!!!!!!

Sim.... já acreditei nesses contos que a gente vê em filmes de desenho animado.... e já acreditei em pessoas perfeitas como o principe encantado e a princesinha....
A maioria das vezes vemos as pessoas como as imaginamos e não como elas realmente são... quem já não se decepcionou com alguém que achou ser o principe encantado ou ainda julgou várias pessoas pelo que imaginou que elas seriam???? Comigo e nem com ninguem é diferente.... e quando encaramos a realidade.... muitas vezes dói.....não existem pessoas perfeitas... como podemos achar que existem??? Nós não somos....
Temos que aprender e reconhecer as virtudes e os defeitos e a conviver com algu
ém como essa pessoa realmente é.... afinal.... também queremos que alguém nós aceite como somos.... não é???? E quando isso é reciproco existe o respeito.... Sinceramente acho que é o respeito e essa compreensão que fazem com que a vida amorosa de duas pessoas se torne duradoura.... Tenho como grande exemplo os meus avos. Já devem fazer uns quatro anos que eles comemoraram suas bodas de ouro e nunca vi um casal tão feliz em comemorar 50 anos juntos.... pensa bem..... 50 anos com a mesma pessoa!!!! e ainda estar feliz com isso!!!!! Com minha certeza acredito que essa felicidade não vem só do amor que eles sentem um pelo outro... essa felicidade também nasce do respeito e da compreensão recíproca....


Li um texto do Contardo Calligaris.... que fala um pouco sobre isso....
Ele escreve textos maravilhosos que me fazem refletir bastante...

O segredo da vida de um casal...
Contardo Calligaris

Receita do amor que dura: amar o outro não apesar de sua diferença, mas por ele ser diferente.

Em geral , na literatura, no cinema e nas nossa fantasias, as histórias de amor acabam quando os amantes se juntam (é o modelo Cinderela) ou, então, quando a união esbarra num obstáculo intransponível (é o modelo Romeu e Julieta). No modelo Cinderela, o narrador nos deixa sonhando com um “viveram felizes para sempre”, que seria a “óbvia” conseqüência da paixão. No modelo Romeu e Julieta, a felicidade que os amantes teriam conhecido, se tivessem podido se juntar, é uma hipótese indiscutível. O destino adverso que separou os amantes (ou os juntou na morte) perderia seu valor trágico se perguntássemos: será que Romeu e Julieta continuariam se amando com afinco se, um dia, conseguissem deitar-se juntos sem que Romeu tivesse que escalar a casa de Julieta até o famoso balcão? Ou se, em vez de enfrentar a oposição letal de suas ascendências, eles passassem os domingos em espantosos churrascos de família?

Talvez as histórias de amor que acabam mal nos fascinem porque, nelas, a dificuldade do amor se apresenta disfarçada. A luta trágica contra o mundo que se opõe à felicidade dos amantes pode ser uma metáfora gloriosa da dificuldade, tragicômica e inglória, da vida conjugal. O casal que dura no tempo, em regra, não é tema para uma história de amor, mas para farsa ou vaudeville -às vezes, para conto de terror, à la “Dormindo com o Inimigo”.

Durante décadas, Calvin Trillin escreveu uma narrativa de sua vida de casal, na revista “New Yorker” e em alguns livros (por exemplo, “Travels with Alice”, viajando com Alice, de 1989, e “Alice, Let’s Eat”, Alice, vamos para a mesa, de 1978). Nesses escritos, que são só uma parte de sua produção, Trillin compunha com sua mulher, Alice, uma dobradinha humorística, em que Calvin era o avoado, o feio e o desajeitado, e Alice encarnava, ao mesmo tempo, a beleza, a graça e a sabedoria concreta de vida.

À primeira vista, isso confirma a regra: a vida de casal é um tema cômico. Mas as crônicas de Trillin eram delicadas e tocantes: engraçadas, mas nunca grotescas. Trillin não zombava da dificuldade da vida de casal: ele nos divertia celebrando a alegria do casamento. Qual era seu segredo? Pois bem, Alice, com quem Trillin se casou em 1965, morreu em 2001.

Trillin escreveu “Sobre Alice”, que acaba de ser publicado pela Globo. Esse pequeno e tocante texto de despedida desvenda o segredo de um amor e de uma convivência felizes, que duraram 35 anos. O segredo é o seguinte: Calvin e Alice, as personagens das crônicas, não eram artifícios literários, eram os próprios. A oposição entre os dois foi, efetivamente, o jeito especial que eles inventaram para conviver e prolongar o amor na convivência.

Considere esta citação de um texto anterior, que aparece no começo de “Sobre Alice”: “Minha mulher, Alice, tem a estranha propensão de limitar nossa família a três refeições por dia”. A graça está no fato de que a “propensão” de Alice não é extravagante, mas é contemplada por Calvin como se fosse um hábito exótico.

Alice é situada e mantida numa alteridade rigorosa, em que é impossível distinguir qualidades e defeitos: Calvin a ama e admira como a gente contempla, fascinado, uma espécie desconhecida num documentário do Discovery Channel. Se amo e admiro o outro por ele ser diferente de mim (e não apesar de ele ser diferente de mim), não posso considerar que minha maneira de ser seja a única certa. Se Calvin acha extraordinário que Alice acredite na virtude de três refeições diárias, ele pode continuar petiscando o dia todo, mas seu hábito lhe parecerá, no fundo, tão estranho quanto o de Alice.

Com isso, Calvin e Alice transformaram sua vida de casal numa aventura fascinante: a aventura de sempre descobrir o outro, cuja diferença inesperada nos dá, de brinde, a certeza de que nossa obstinada maneira de ser, nossos jeitos e nossa neurose não precisam ser uma norma universal, nem mesmo a norma do casal. Há quem diga que o parceiro ideal é aquele que nos faz rir. Trillin completou a fórmula: Alice era quem conseguia fazê-lo rir dele mesmo. Com isso, ele descobriu a receita do amor que dura.


Bom... mais uma receita que vai para o meu caderninho......
té mais!